terça-feira, 1 de agosto de 2017

BOA NOITE - Pam Gonçalves #BEDA2017

Desde a Bienal do Livro 2016, quando participei de um bate-papo com a booktuber Pâmela Gonçalves, me interessei por seu primeiro romance. Boa Noite foi minha primeira leitura concluída no mês de Agosto!


O livro não traz uma trama muito complexa, ou um grande número de personagens. A narrativa se passa, em sua maioria, na República das Loucuras, local que recebe a protagonista Alina durante sua graduação em Engenharia da Computação. Nos envolvemos desde os primeiros capítulos com a rotina e intimidade dos moradores da república, o que cria um vínculo forte entre leitor e personagens.

Quando não estão em aulas, os moradores da república se dividem entre festas e eventos característicos da vida universitária. Acredito que o principal objetivo da autora tenha sido apresentar aspectos sempre presentes, mas nem sempre comentados, do ambiente acadêmico. As bebidas e drogas, as diversas formas de preconceitos e as intrigas geradas pela convivência são algumas características acrescentadas aos poucos à obra, conforme Alina vai se adaptando e descobrindo novidades de sua nova vida.


Entretanto, todo o livro é permeado pela questão feminina, já que apresenta diversas situações de machismo, principalmente pelo fato da protagonista estar em um curso da área da tecnologia, cujas vagas são ocupadas predominantemente por homens.

Quando um concurso em sua faculdade é anunciado, Alina percebe tratar-se da oportunidade perfeita para denunciar tais situações por meio da criação de um aplicativo. No primeiro semestre de aulas ela conhece Artur. À primeira vista, o príncipe com o qual Alina sempre sonhou, mas aos poucos suas atitudes parecem revelar características de sua personalidade que podem ser nocivas à protagonista.

Embora a letra um pouco pequena, a edição é bonita e a leitura bem ágil, principalmente pelo citado envolvimento com os amigos de Alina (cheguei até a adiar um pouco o término pois sabia que sentiria saudades deles). Os temas retratados são extremamente importantes atualmente, e demandaram extrema coragem da autora, embora por vezes sejam levados ao leitor em um certo tom didático, talvez instrutivo demais, que poderiam ser incorporados à narrativa de forma mais orgânica.


Boa Noite é destinado para o público New Adult (gênero localizado entre o Young Adult e o Adulto. Para saber mais, clique aqui) e é um romance de estreia que deve agradar àqueles que já conhecem a Pâmela dos vídeos e aos novos seguidores.

sábado, 27 de maio de 2017

Lançamento - A Vila dos Pecados


É hoje! Depois de uma semana de divulgação, vocês devem estar curiosos para conhecer a estranha Vila dos Pecados. 

E não é por menos: o que vocês lerão nas páginas desse livro irá deixá-los de cabelo em pé. O lançamento oficial é logo mais, na Livraria da Vila do Shopping Galleria, em Campinas, a partir das 15h!! 


Sinopse: Final do século XIX. Enquanto o mundo passa por transformações importantes, existe uma vila inóspita, que vive à margem da civilização e que tem as suas próprias e estranhas leis.Lendas escuras a rondam e histórias macabras sobre Ponta Poente povoam o imaginário popular.  
Quando o padre Alfonso Anes, um exemplo vivo de amor e resignação, chega à vila para substituir o seu antecessor, depara-se com segredos que o farão duvidar da própria sanidade, e uma onda de mortes trará o caos para aquele lugar ermo. 
Quem estará a salvo? Serão estes segredos o fim de quem os esconde? O que esse universo tenebroso revelará para o mundo?
Um suspense sinistro, que envolverá completamente o leitor e o levará a compartilhar dos segredos da Vila dos Pecados. 


Vai ficar fora dessa? #lançamento #suspense #terror #sorayaabuchaim #aviladospecados

sexta-feira, 28 de abril de 2017

O Exército De Um Homem Só - lido e descrito por Dourovale



Não! Você não sabe do que eu estou falando. Por mais que entenda as minhas palavras ordenadas em frases, você não é capaz de me entender. Sabe por quê? Porque somos unos! Você é apenas o que tem; e não tem o que você pensa possuir.
O que temos realmente de nosso não são os bens, tão pouco as glorias. Nossa memória, nossa falha memória, pode muito bem alterar nossas lembranças e nossa história sem que sequer percebamos. Os que nos consideram amigos e as pessoas que, inexplicavelmente, nos amam portam sentimentos sobre os quais recebemos como dádivas, mas não possuímos.
Os imóveis, assim como qualquer possível empresa, apenas administramos. Os automóveis, dirigimos. As roupas, os sapatos, os anéis, vestimos e nos adornamos. Tudo aquilo que for para uso, mesmo que haja uma folha gritando que somos “donos”, são indiferentes objetos, não nos formam.
As alegrias são vãs. A tristeza é superável. Os amores estão, não são. Nós os vivemos, eternizamos e, se for preciso, distraidamente os esquecemos.
O que podemos dizer ser nosso são os motivos, os ideais, aquilo que nem sempre comentamos mas que impregna nossas crenças, nossos desejos e buscas.  Sonhadores são os que expõem muitas vezes sua essência.
Em 1973, Moacyr Scliar lança pela L&PM “O EXÉRCITO DE UM HOMEM SÓ” para que pudéssemos entender que toda glória, toda miséria, toda conquista, toda derrota de um grupo, de uma equipe, de uma sociedade é, antes de tudo, um resultado individual.
Mesmo sabendo que necessitamos de outras pessoas para sobrevivermos (e quanto mais moderno e isolador fica o mundo, mais dependemos dos outros), toda honra e todo desgosto, toda vitória e toda vergonha seguem um caráter individual e indistributivo.
Não! Você não sente a minha dor, por mais criativo e imaginativo que sejas. Você não
desfruta o meu prazer, por mais companheiro, parceiro ou solidário que estejas. A morte é uma ação individual, assim como a vida.
Você sabe ler, mas não o que eu escrevi. Eu li o Moacyr e entendi, não o que ele escreveu, mas o que li e, por mais que te explique, você nunca vai saber o que compreendi. Desse mesmo jeito, eu nunca saberei do seu entendimento sobre tudo isto que escrevi.

domingo, 23 de abril de 2017

O QUE HÁ POR TRÁS DO CÉU? - Dourovale

As flores não nasceram para alegrar a sua vida! Elas devem ter seus motivos e objetivos próprios; ou apenas vivem sem se a humana preocupação com significados. O que eu sei (ou acredito que sei) é que o vidro do vaso ou o plástico da embalagem não fazem parte dos planos das flores.
Sem a intromissão humana, as Rosas, os Cravos, os Girassóis iriam brotar, abotoar, florar, despetalar, jazer e adubar a própria terra que serviu de suporte para suas existências, alimentar suas raízes e, talvez (quem sabe?), renascer.
Não, as flores não nasceram para você ficar feliz ou infeliz! Nem para enfeitar sua mesa, sua casa, seu dia. Nós e nosso antropocentrismo...

Ontem foi dia de Belas Artes, salas paulistanas que servem como templo ao Cinema. O filme? POR TRÁS DO CÉU.
Caio Sóh dirige, entre outros, Nathalia Dill, Emílio Orciolo Neto, Renato Góes, Paula Burlamaqui, entre outros.
A história florece aos poucos. Os cenários impressionantemente duros se contrapõem às belezas do céu. O Cinza, o Azul. O tema é a vida, o viver, o nascer, o morrer, o renascer.
Assim como as flores, precisamos aprender a morrer o que já foi para não morrer o que somos, para não morrer definitivamente.

Esse Pequeno Príncipe adulto, moderno, POR TRÁS DO CÉU emociona sem ser piegas. É lírico! Poesia cinematográfica! Mas, diferentemente das flores, ele foi criado para ser visto, pensado e para decorar o seu entendimento e as suas emoções.
Não detalho a história para que ela nasça em ti, impressione como permitires.
Permita-te seduzir!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Dia Nacional do Livro Infantil!

Hoje, 18 de abril, comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil, data escolhida por ser o nascimento de um grande representante do gênero no Brasil, Monteiro Lobato. 


Para comemorar uma data tão importante, vale a pena conhecer as obras do autor parceiro, Lucinei Campos. Lavínia e a Árvore dos Tempos, Lavínia e a Magia Proibida e Violeta Não Sabe Amar, trazem a magia do universo infantil, discutindo questões como amor e amizade, numa prosa atual e ágil. Para saber mais, visite a página do autor no Skoob, e feliz Dia Nacional do Livro!
 

terça-feira, 11 de abril de 2017

#DESAFIO12MESESLITERARIOS - Mais Leve Que O Ar (Felipe Sali)


A imagem pode conter: textoO livro do mês de março pro #DESAFIO12MESESLITERARIOS devia ser um livro escrito por um homem, e a minha escolha foi "Mais Leve que o Ar", do autor nacional Felipe Sali (presente da Maria Ferreira, do blog Impressões de Maria).

Mais um talento do Wattpad que ultrapassa as barreiras digitais e publica a versão física de sua obra, Felipe traz em seu primeiro romance, publicado pela Editora Lote 42, a história de Melissa, jovem garota do reino magico de Amberlin, que possui o poder de criar com as mãos, flores dos mais variados tipos. Sua pacata vida no reino é transformada quando o príncipe Pablo passa a frequentar a mesma escola da protagonista e a encanta com seu sonho de voar.

Como o título jà diz, o livro traz uma escrita bem leve, mas não por isso rasa. Somos muito bem ambientados no reino mágico, e em toda a mitologia das Druidas (estudantes de magia), um bom exemplo de como seriam os livros de Jane Austen se ela escrevesse literatura fantástica, principalmente pela relação de Melissa com suas cinco irmãs,que muito se assemelha à da protagonista de Orgulho e Preconceito, mas com um tempero nacional.


O livro é permeado pelo sonho de Pablo, e seu invento que pretende fazer o homem voar. Trazendo um forte debate político entre os reinos próximos, e diversas questões sociais semelhantes entre nosso mundo e o mágico, Felipe nos mostra as transformações nas vidas e nas famílias de Melissa e Pablo após o início do relacionamento, que é separado por um grande acontecimento.


É impossível falar sobre o livro, sem comentar o trabalho gráfico da Editora Lote 42 (feito por Daniel Justi), que traz, além da capa chamativa, uma visão panorâmica do Reino de Amberlin numa espécie de dobradura. permeando toda a obra com desenhos que remetem à magia e arquitetura.

Apesar da edição física, a história de Felipe Sali ainda está disponível na íntegra no Wattpad! Não tem desculpas para deixar de conhecer o Reino e conquistar os céus com Melissa e Pablo.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

CONVITE - XII Bienal do Livro do Ceará

Oi pessoal, o post de hoje é uma parceria do VidaLida com o autor Lucinei M. Campos, que está convidando todo mundo para a XII Bienal do Livro do Ceará!  \o/



Nascido em 16 de outubro de 1983, Lucinei M. Campos é um jovem professor e escritor de alma e profissão. Carioca, foi criado nas ruas da Maré, um dos maiores complexos de favelas do Rio. Formou-se em História e se especializou em História da África e da Diáspora Africana no Brasil. Divide sua carreira de escritor lecionando na rede pública estadual de ensino local para jovens, adolescentes e pré-adolescentes. Atua no mercado literário como autor independente, sendo conhecido como o Mago Branco, devido à fantasia de um dos personagens de seus livros, que utiliza em suas apresentações. Além da série Lavínia, acaba de lançar o romance juvenil Violeta não Sabe Amar, sua primeira obra no formato digital. Lavínia e a Árvore dos Tempos, lançado em 2014, veio para concretizar um sonho de menino em ver uma criação sua sair do seu imaginário e se integrar ao de outras pessoas: adultos, jovens e crianças que, assim como ele, tem o espírito inquieto a procurar e a contar sempre novas e boas histórias. Lavínia e Magia Proibida, lançado na Bienal do Livro do Rio, em 2015, dá continuidade a esse sonho. (Biografia fornecida pelo autor)

Além de percorrem diversos festivais, os livros são utilizados em sala de aula por diversas escolas, e estarão junto do autor no estande da Editora Vozes de 15 a 22 de abril.

Para mais informações acesse o site do evento clicando aqui!

Até a próxima!



quinta-feira, 23 de março de 2017

CONVITE: Mundo Estranho + Autores do Wattpad Brasil

Olá pessoal, tudo belezinha?

O post de hoje é um convite para um evento online que acontecerá sexta-feira, dia 24 de março.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

Organizado pela Revista Mundo Estranho e pela plataforma Wattpad, o evento reunirá alguns dos autores mais acessados do site, como Clara Savelli (autora de Acampamento de Inverno Para Músicos (nem tão) Talentosos, resenha aqui!), Felipe Sali (autor de Mais Leve do que o Ar), Aimee Oliveira (autora de Invisível), entre outros, que há meses utilizam a hashtag #GeraçãoWattpad em suas postagens. Isso é tudo que foi divulgado e continuamos aí no suspense até a grande revelação de amanhã!

Para participar, basta confirmar presença no evento do Facebook (link aqui), e vale a pena lembrar que não será um evento físico ;D

Tem alguma opinião sobre o que vem por aí? Deixe aqui nos comentários, encontro vocês amanhã!

Até a próxima :P

quarta-feira, 8 de março de 2017

#DESAFIO12MESESLITERARIOS Jantar Secreto - Raphael Montes

O desafio de fevereiro (sei que já é março, mas enfim...) do #DESAFIO12MESESLITERÁRIOS foi ler um autor nacional, e a obra que escolhi, Jantar Secreto do carioca Raphael Montes, acabou se tornando um dos meus livros preferidos da vida.


Após ter ficado completamente louco com o final de Dias Perfeitos, romance de maior sucesso do autor, a vontade de ler mais terror nacional só aumentou, e Jantar Secreto foi responsável por reafirmar ainda mais minha paixão pelo gênero.


Após terem entrado para a universidade, Dante e seus amigos passam a viver em um apartamento em Copacabana, mas o atraso no aluguel os leva ao desespero pela falta de dinheiro. Acabam encontrando a solução em um site, onde é possível oferecer jantares em sua própria casa e cobrar pelo serviço. Porém, o que parecia ser o alívio para todos os problemas do grupo, acaba sendo o começo de algo muito maior quando os jantares passam a ter carne humana como prato principal.

Embora o resumo já pareça macabro o suficiente, palavras jamais serão suficientes para expressar todas as emoções que a leitura nos traz. Do horror mais grotesco possível, ao dó e compaixão da história de cada personagem envolvido com os jantares, passando por conversas no Whatsapp repletas de memes. O autor trata de um assunto tão pesado quanto canibalismo sem cansar o leitor, nos envolvendo cada vez mais com o psicológico de Dante, entendendo suas motivações e anseios.

A capa e as bordas vermelhas não enganam, é necessário muito estômago para algumas passagens, e um psicológico razoavelmente estável para não pirar junto com a narrativa. Após o sucesso do primeiro jantar, Dante recebe uma proposta de Vladimir, um homem misterioso que não revela o rosto e age apenas por meio de seus funcionários, e os jantares passam a funcionar em uma mansão afastada do centro da cidade, recebendo a elite carioca e diversas celebridades, saindo aos poucos do controle dos amigos chegando a ameaçar suas próprias vidas.


Os destaques ficam com Leitão, nerd com alguns transtornos de personalidade, que passa os dias trancado no quarto com seu computador e video-game, e sua namorada Cora, uma prostituta poeta que é responsável pelos cortes das carnes e, com seu sangue frio, ajuda os outros a não perderem a cabeça.

Por fim, é impossível escrever uma resenha sobre Jantar Secreto sem mencionar seu desfecho, uma cena memorável que, em sua descrição, é responsável por resumir a motivação da obra e seu objetivo em criticar os vícios da sociedade atual, da malandragem do brasileiro, das falsas aparências nas redes sociais, o poder da ganância e seus efeitos em cada um de nós. Se você é tão fã de terror quanto eu, pode colocar o último romance de Raphael Montes na sua lista.

Até a próxima :D


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Acampamento de Inverno para Músicos (nem tão) Talentosos - Clara Savelli

O post de hoje é uma parceria do VidaLida com a autora Clara Savelli!


O Wattpad é atualmente a principal plataforma de publicação independente na internet, servindo como porta de entrada para diversos jovens autores, e é onde Acampamento de Inverno Para Músicos (nem tão) Talentosos está disponível para leitura!

“Carioca da clara. Vive no seu próprio céu de diamantes. Gosta de pensar que é padawan da Meg Cabot, ainda que prefira o lado negro da força. Fez duas faculdades ao mesmo tempo, mas não tem um vira-tempo. Enquanto espera o convite de Zordon para fazer parte dos Power Rangers, passa o tempo livre escrevendo livros.” 
Clara Savelli é carioca, nascida em Outubro de 1991 e uma mulher de mil e uma utilidades: escritora, bacharel em Relações Internacionais e advogada.
Vencedora do Prêmio NRA 2009 nas Categorias "Melhor Livro Não-Concluído", "Melhor Autora" e "Melhor Entrevista". Vencedora do Prêmio Paulo Britto de Literatura 2011 na Categoria Prosa. Menção Honrosa no Concurso Internacional de Contos Vicente Cardoso 2012. Vencedora do Wattys 2015 e do Wattys 2016. 
Autora de Mocassins e All Stars, Acampamento de Inverno para músicos (nem tão) Talentosos, Tiete!, Chinelo e Salto Alto e diversos contos. Colunista semanal do blog Psicose da Nina, da Woo Magazine e redatora da Revista Publiquei!


Ao ser arrastada por sua melhor amiga, Amanda se vê presa em um acampamento para músicos em Teresópolis, mesmo tendo seu repertório composto apenas por três músicas na flauta. Sentindo-se deslocada, encontra refúgio na companhia de Bruno, monitor dos alunos, que parece ser o parceiro ideal para enfrentar o interminável mês, até que o acampamento se revela não tão perfeito como prometido.

Além disso, acompanhamos a descoberta de Amanda em sua vocação musical, junto de seus amigos, Ana Júlia e Igor, fanáticos por Katy Perry e Lady Gaga, que são responsáveis pelo humor da história, em constantes brigas para decidir quem é a verdadeira rainha do pop, e de sua melhor amiga Lila, que logo se envolve com outro campista, Gustavo, abandonando Amanda diversas vezes.


A trama não se baseia apenas nas músicas e romances do acampamento, mas levanta também outras questões da adolescência, como alcoolismo, traição, preconceito e a relação dos personagens com seus familiares (aliás, um dos capítulos mais marcantes e emocionantes traz a história da mãe de Amanda, e seu conturbado relacionamento com o resto da família).

Pelos capítulos serem repletos de diálogos, a leitura pode ser feita de forma rápida e leve, sem perder toda a profundidade dos conflitos gerados, e acabamos nos apegando aos personagens facilmente (e ficando com muuuitas saudades depois do final!).

Acampamento de Inverno para Músicos (nem tão) Talentosos está disponível no Wattpad neste link, No site da autora, é possível conhecer outras obras, além de adquirir o livro físico de Mocassins e All Stars, Não deixe de seguir a Clara também em todas as redes sociais:

Youtube: https://www.youtube.com/clarasavelli
Site Oficial: www.clarasavelli.com
Instagram: claraguta
E-mail: contato@clarasavelli.com
Snapchat: claraguta
Twitter: claraguta
Facebook: https://www.facebook.com/autoraclarasavelli

domingo, 22 de janeiro de 2017

#DESAFIO12MESESLITERÁRIOS - O Caso do Hotel Bertram - Agatha Christie


O VidaLida está participando do #Desafio12MesesLiterários, organizado pelos blogs Entre Chocolates e Músicas, da Ani, e o Books and Carpe Diem, da Karine Fernandes. A ideia é escolher um livro do tema estabelecido naquele mês e compartilhar suas impressões.

Para o mês de Janeiro, o desafio era ler um livro do seu gênero favorito, por isso, escolhi "O Caso do Hotel Bertram", um romance policial de Agatha Christie, para me acompanhar durante a primeira semana do ano.



 Além de trazer meu gênero favorito, a obra tem como protagonista a minha "investigadora" preferida da autora, Miss Jane Marple que, utilizando sua experiência de vida e seu faro aguçado, ajuda a Scotland Yard em diversos casos.



Se diferenciando dos demais livros da autora, os primeiros capítulos não trazem o costumeiro assassinato e a apresentação dos possíveis suspeitos. Somos recebidos no Hotel Bertram, um típico hotel londrino que, mesmo em 1955, ainda possui a atmosfera dos anos 30, conhecido por seu delicioso chá. Miss Marple desfruta de sua estadia, até que Bess Sedgwick, figura polêmica, sempre presente na mídia, conhecida por estar sempre envolvida em escândalos, relacionamentos conturbados e por ter sido pilota de carros de corrida, passa a se hospedar no hotel. A chegada da celebridade instiga a curiosidade de nossa investigadora, já que o Bertram parecia um pouco pacato demais para Bess.

Além disso, temos duas tramas paralelas. A primeira traz Elvira, também hóspede do hotel, uma adolescente herdeira de uma grande fortuna, que foge da casa de seus tutores temendo que a matem por conta da herança. Na segunda, acompanhamos inspetores da Scotland Yard tentando solucionar diversos roubos de um grupo criminoso, que parecem se conectar pela constante presença de um carro de corrida durante as ocorrências.



Por trazer diversos pontos de vistas, e situações diferentes que se centralizam no hotel, a leitura não se torna cansativa, e aumenta nossa curiosidade para o desfecho da história. A solução do caso é, de fato, previsível, mas acredito que o principal objetivo da autora tenha sido trazer uma forte crítica social, em situações que continuam presentes no nosso cotidiano, mesmo cinquenta anos após sua publicação.

Para saber mais sobre o #Desafio12MesesLiterários, clique aqui!

Até a próxima!


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

31 ANOS SEM LER - por Hugo Brandão

Estávamos no ALI PUB, Barueri. Era uma apresentação do Grupo Choro Marginal.

Então o Hugo me disse que "aprendeu a ler". Quase um Engenheiro formado, imaginei que isso fazia muito tempo. Mas ele me disse que não...


31 ANOS SEM LER


"Passei 31 anos da minha vida sem ler. E agora, aos 33 anos de idade, descubro os prazeres e desprazeres da leitura.
Bom, acho que é melhor eu me apresentar! Meu nome é Hugo, tenho 33 anos de idade e sou uma “pessoa castanha”. Um jovem medíocre, que na escola apenas se destacou na arte de mentir e aprontar. Tive uma infância muito solitária, talvez isso tenha forjado meu jeito cada vez mais ermitão e antissocial. Também sou mestre em criar bloqueios. Quando acho uma tarefa difícil demais ou imprópria para as minhas habilidades intelectuais, empaco como mula prenha ao se deparar com rio profundo e de vultosa correnteza.
O meu maior bloqueio, depois do mais vexaminoso (que era fazer necessidades nas calças mesmo com uma idade em que crianças “normais” não mais o faziam), era escrever todos os dias no cabeçalho, que antecedia a tarefa do dia no caderno da escola, “brazil”. Nossa como isso deixava minha mãe irritada! Professora de línguas (Português/Inglês), lembro-me perfeitamente como dizia em tom alto, próprio dos professores quando enfrentam resistência aos seus ensinamentos:
“Hugo! “Brasil” é nome de país, se inicia com letra maiúscula e não tem nada de “z”, é com “s”.
Bom! Mas mesmo sem saber ler, escrever, calcular e nunca ter entrado em uma aula de física ou química, consegui aos solavancos, por inércia, concluir o ensino fundamental, o antigo colegial técnico profissionalizante. E ainda entrei na faculdade de engenharia civil, onde me encontro no último ano. Acho que para alguém que era covarde ao ponto de sujar as calças com medo de ir ao banheiro, tive muita coragem de enfrentar a vida escolar, profissionalizante e acadêmica sem saber ler e escrever.
A definição comum da palavra alfabetizado é: “o que ou aquele que aprendeu a ler e escrever”. Agora vamos pensar! Saber ler pode ser interpretar símbolos e assim decifrar um código ou mensagem representadas. Esta, na minha opinião, é a melhor das definições, porém intrinsecamente  não é a definição comumente usada. Se saber ler é interpretar símbolos afim de decifrar uma mensagem e sabemos pronunciar a palavra “Esquálido”, mas não a interpretamos, podemos chegar à conclusão de que ler é mais do que o conhecimento da fonética.  Contudo, a principal função de ler não é a fonética e sim a mensagem que pode ser decifrada sem o conhecimento da fonética.  É possível uma criança surda sinalizada aprender a ler.     
A pré-história é, por conjuntura dos historiadores da arte, dividida em duas épocas: a Paleolítica e Neolítica (Pedra Velha / Pedra Nova). Cada uma com suas particularidades, e a principal característica que nos distancia do homem pré histórico é a descoberta da escrita. Este foi o advento que tirou a humanidade da época da pedra. Logo podemos classificar alguém que está na modernidade, mas não sabe ler, como “Homem Anacrônico”.
Como mestre em criar bloqueios, durante uma boa parte da minha vida, achava, e confesso que ainda não tenho a plena certeza de ser o contrário, que o hábito de ler não seria de todo benigno, pois conduz a criatividade e canaliza o livre pensamento. Pouco antes de completar trinta e um anos de idade resolvi começar um experimento com a leitura. Consultei o Google, pesquisei  “livro mais foda do mundo”.  Achei uma lista tipo “top 10” e o número um do ranking era “Guerra e Paz” de Tolstói. Resolvi começar por ele, numa versão completa com 1500 páginas divididas em dois volumes. Insisti bem nessa ideia. Fui até quase o final do primeiro volume, mesmo sem entender quase nada, devido a grande quantidade de personagens e ao autor hora referir se aos personagens pelo nome, outra pelo sobrenome, titulo ou grau de parentesco com outro personagem. Até que, no final do primeiro volume, desisti da ler,  pois já fazia pouquíssimo sentido.
Apesar de ter desistido de Leon Tolstói, ainda não tinha desistido da meta de ler. Parti em nova empreitada então. Comprei quase a coleção completa, da versão “pocket”, de “Nietzsche”. Li, não lembro a ordem, mas li “O Nascimento da Tragédia”, “A Gaia Ciência”, “O Caso Wagner” e “David Strauss, Sectário e Escritor”.
Com a leitura dos livros de “Nietzsche”, depois de viciar na aventura que era ler em um português rebuscado e cheio de descobertas dentro da minha própria língua, percebi que o desafio de ler vai além de entender a “mensagem global”. Agora também havia o desafio de entender as novas palavras que eu não tinha o conhecimento do seu significado.
Depois das minhas aventuras com os volumes do alemão, decidi voltar ao Tolstói. Foi quando achei um volume em inglês e de aspecto físico muito bonito, de “Anna Karenina”(Ed. CRW Publishing). O desafio foi maior ainda com “Anna Karenina”.  Por exemplo, nas primeiras páginas encontrei o adjetivo “lenient”, que para mim era desconhecido. Achei a seguinte tradução: “lenient = Indulgente”. Fiquei na mesma! Então tive que, além de operar um dicionário de versão em outra língua,  operar um de significação.
Após “Anna Karenina” me senti totalmente preparado a voltar para “Guerra e Paz”. Hoje (30/12/2016) já li 80% da obra completa. Vejo sentido em cada frase e entendo a obra como um todo e, graças ao autor, consegui associar conceitos de cálculo infinitesimal com causa e efeito, relevantes ao comportamento do homem em sociedade; conhecer o “iluminismo” e ler “O que é o iluminismo?” (8 páginas) de Immanuel Kant; e ainda tantas outras experiências.

Ler não é conhecer o alfabeto. Mas sim exercício de constante pesquisa. Se um indivíduo conhece o Alfabeto Cirílico não quer dizer que ele entenda Russo. Ou seja, há uma enorme diferença entre ler e “ler”. "