sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Vai Ter Livro de Youtuber Sim! - Debate



O ano de 2016 foi marcado no mercado editorial pela publicação e grande venda de livros de youtubers, gerando assim, como tudo mais que faz algum sucesso, diversas críticas sobre a qualidade e até a necessidade de tais obras.

Foi nesse ano também que meu vício, e acredito que de muitos outros, só aumentou. Um dia em que um daqueles meus canais favoritos não publica um vídeo, é um dia sofrido com certeza. Pela proximidade entre vlogueiros e espectadores, a plataforma se tornou fonte de entretenimento para jovens e adultos, e não demorou muito para que diversas marcas vissem ali uma oportunidade para ações publicitárias que atingissem o público certo de forma direta. As legiões de fãs conquistadas pelos canais também despertaram o interesse de diversas editoras, e em poucos meses as listas de livros mais vendidos foram preenchidas por autores como Kéfera, Jout Jout, Rezendeevil e muitos outros. Foi aí que a polêmica surgiu.

Fonte: http://www.livrosechocolate.com.br/2015/10/muito-mais-que-5inco-minutos-kefera.html

Não só nos vlogs e blogs literários, mas a discussão se tornou um assunto comum em todo o país, e essas são as minhas opiniões sobre o tema!

Não podemos negar que, mesmo não sendo autores consagrados, estudantes de assuntos relacionados à produção textual, ou pessoas consideradas “aptas” para o ofício da escrita (se é que existe alguém que não seja), a publicação de autores nacionais no volume que vemos hoje é algo extremamente raro. E o que ganhamos com isso?

Pra começar, o público leitor percebe facilmente (sendo ficção ou não) a diferença entre as narrativas nacionais e as internacionais (que até hoje predominam nas livrarias e nas preferências dos leitores – me incluo nisso), e se acostumar com o estilo brasileiro, a oralidade brasileira colocada no papel, é um ponto positivo e fundamental para que mais autores nacionais (youtubers ou não) sejam lidos. 

Fonte: http://extra.globo.com/tv-e-lazer/celebridade-do-mundo-virtual-jout-jout-lanca-livro-em-niteroi-19370861.html

Outra questão é o alcance de público. O canal 5incoMinutos, da Kéfera, já conta com mais de 10 milhões de inscritos, e eu me pergunto quanto desses que compraram o livro, nunca haviam sentido tanto interesse em ler algo na vida. Essa leva de livros que aproveitam o imenso público da internet é a porta de entrada para leitores com grande potencial, que só precisavam desse passo inicial.

O que nos leva a lembrar que: Toda leitura é válida! Não importa se o autor não usa figuras de linguagem, ou não preenche capítulos e mais capítulos com cansativas digressões que no final não levam a lugar nenhum, o exercício da leitura, o contato com outras realidades e outras ideologias que só os livros conseguem trazer, vão acrescentar, sendo muito ou pouco, algo novo ao leitor, transformá-lo, e toda transformação é positiva.

Fonte: http://dc.clicrbs.com.br/sc/entretenimento/noticia/2016

Por fim, mas não menos importante (até porque vamos falar de dinheiro $), a publicação de tais obras gera uma renda superior e significativa para as editoras, o que permite ao mercado apostar em mais autores nacionais, de outros gêneros, e dá oportunidade para novas descobertas que talvez não seriam possíveis sem a venda dos tão polêmicos livros, e que talvez atinjam os leitores formados pelos mesmos. Acredito que tais vendas possam ser comparadas ao sucesso dos livros de colorir em 2015, mas estamos falando de literatura aqui, não é? :D


Essas foram algumas considerações minhas sobre o tema, e o debate tá liberado nos comentários! :D Até a próxima! 

- Tiago Valente 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

NAS ASAS DO TEMPO! – Por Dourovale



Você já pensou que a vida não acaba aos 50, ou 60, ou 70, ou 80, ou 90?
O que é estar vivo?
Para quem vivemos?
Há um livro do Inácio de Loyola Brandão que tem como título NÃO VERÁS PAÍS NENHUM. Eu o
li nos anos 80, mas ele ainda é atualíssimo como são todos os bons livros. Uma personagem, ao final de cada ano, junta todas as folhas do calendário (aqueles calendários que trazem uma folha para cada dia), as amarra e guarda junto com outros calendários de anos já passados. Essa imagem sempre me marcou. Sempre temi que da minha vida apenas restassem os dias passados amarrados e guardados como iguais, sem diferenças ou importâncias. Viver apenas para não morrer, sem tentar realizar sonhos nunca foi parte do meu objetivo. Não sei se há outra forma de vida depois da morte. Cada um creia no que quiser! O que eu sei é que agora estamos vivos. Vivamos sempre enquanto estivermos vivos!
Vou falar de uns autores que ainda não falei aqui...

Mas antes vou homenagear neste meu último texto do ano (talvez seja) para uma pessoa que eu sempre admirei, Dom Paulo Evaristo Arns. Eu o vi algumas vezes e tive o prazer de receber um autógrafo dele em um de seus livros. O que para muitos o Papa Francisco traz de novidades, Dom Paulo já realizava aqui em São Paulo. Pessoa lúcida, corajosa, justa e, principalmente, inspiradora. Dom Paulo, dedico este texto ao Senhor!

Vou falar de uns autores que ainda não falei aqui. São pessoas que tramaram palavras, ideias e ideais formando um tecido da mais alta qualidade... Desculpem, me engano!
Eles não fizeram apenas um tecido de alta qualidade. Suas tramas verbais construíram ambientes, situações, personagens. Então chamaram as pessoas do mundo para que viessem ver suas construções.
Em um palco quase desnudo os personagens, que já haviam conseguido vida nas palavras escritas, materializaram-se aos olhos de todos. O tema? Mostrar que há vida depois dos cabelos brancos!
Riso, choro, emoção, empatia, reflexão. Estes são alguns sentimentos que a plateia disse ter sentido. E o que há de maior para autores e atores do que perceber que a peça não apenas fez sentido como também despertou sentimentos?
Eu fui o felizardo de dar vida física a um dos personagens! Estar no palco é maravilhoso! Maravilhoso também foi poder encontrar um grupo que em pouquíssimo tempo (uns dois ou três meses ensaiando apenas uma vez por semana) conseguiu um resultado no palco tão bom. Desculpem se me falta modéstia e se me sinto orgulhoso, mas não falo apenas de mim, falo de todo grupo.
Os autores da peça NAS ASAS DO TEMPO! São:


Fábio Dervilani

Cristiane Peixoto


Maria Cláudia Mesquita

Tiago Valente


Além deles a peça teve a competente administração da Carmem Lúcia Gallo
O apoio da Patrícia e da Mãe dela, Luciene.
Além desses também atuaram

A adorável VÓ, Maria Carmelita Alves Gallo
Eliane Cristina
E eu Dourovale.

A peça foi apresentada no Teatro Martins Pena (Centro Cultural Penha). O público doou brinquedos e roupas para crianças.
Quem viu, viu! Quem não viu, que visse... ou veja.
A partir de fevereiro próximo, provavelmente, haverá mais oportunidades de nos encontrarmos. Venha!

Eu já publiquei um texto do Fábio ( e já tenho outros para publicar aos poucos) no meu blog artesaosamigos.blogspot.com.br . Pretendo também publicar textos da Maria Cláudia e da Cristiane. Assim, mesmo quem não foi ao Teatro nos ver, pode saborear o tecido fino que esses autores produzem.



Ganhos e Perdas em "Harry Potter e a Criança Amaldiçoada" - Rowling, Tiffany e Thorne


Se você é tão fã de Harry Potter quanto eu, pode imaginar todo o medo que senti ao virar a primeira página de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. Não apenas o medo de não gostar da história, mas a insegurança de saber como continuava aquela sua série favorita que, até então, tinha um começo e um final. Descobrir que o futuro de personagens tão queridos não foi do jeito que você imaginava, ou gostaria que fosse, pode ser realmente frustrante, e acredito que esse foi o principal risco que os autores correram.

O livro traz o roteiro utilizado na peça que estreou em 2016, no circuito West End, em Londres, escrito por J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne, que tem Alvo Severo, filho de Harry, como protagonista. No espetáculo, acompanhamos Alvo e seu melhor amigo Escorpion, filho de Draco Malfoy, em uma viagem pelo tempo, enquanto tentam alterar algumas atitudes de seus pais, e as consequências delas. Para os fãs, não existe sensação melhor do que revisitar lugares tão significativos da nossa série favorita.



Pelo formato utilizado, e pela divisão dos atos, a leitura do oitavo livro da série pode ser feita em poucos dias e é interessante perceber a forma como os autores conseguiram manter uma narrativa semelhante à que encontramos nos outros livros. Mesmo sendo um roteiro, ainda temos acesso aos pensamentos e sentimentos dos personagens, além de boas descrições dos cenários utilizados na história.

Alvo Severo é, de longe, o personagem mais interessante da obra, por seu jeito desafiador e fora do estereótipo de mocinho que todos esperavam. Já Harry passa a ser um coadjuvante, com falas geralmente monótonas, mas totalmente justificáveis pela situação atual do personagem.


Talvez Rony Weasley tenha sido quem mais sofreu mudanças dos livros anteriores. Por ser responsável pelas cenas cômicas da peça, todo o desenvolvimento em sua personalidade que acompanhamos é esquecido, e Rony é transformado no tio do pavê, com um humor forçado e caricato. Quem realmente mantém as mesmas características e personalidade é Hermione Granger (agora Weasley), sendo uma das personagens mais fortes em cena.

Por mais que muitos tenham se desanimado pelo livro não ter sido publicado em prosa, ou pelos novos personagens, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada foi, sem dúvida, uma das melhores leituras desse ano, e a mais aguardada também. O final da primeira parte faz com que seja impossível largar o roteiro antes de terminar, e tenho certeza de que todo mundo espera por mais histórias de Alvo e Escorpion.

Malfeito Feito. 


- Por Tiago Valente


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Menina Má - Willian March

Uma das piores atitudes que podemos ter ao iniciar uma leitura é, sem dúvidas, criar expectativa em cima de uma história sobre a qual não conhecemos nada, mas é inevitável quando somos atraídos por uma boa campanha de divulgação e uma edição caprichada. Quanto maior a expectativa, maior pode ser a decepção, e foi justamente o que aconteceu quando li Menina Má, de Willian March.



Rhoda Penmark, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.

Embora a obra seja classificada como um clássico do horror, a história de Rhoda se caracteriza pelo suspense que permeia a vida da familia Penmark e dos personagens que se envolvem a ela. Mas isso é tudo! A narração segue de forma linear, enquanto Christine tenta descobrir se a filha é, de fato, culpada pela morte do vencedor do concurso de soletração e, consequentemente, dono da medalha tão desejada por Rhoda,


Ao contrário do que indica a capa e o título do livro, o autor traz o ponto de vista da menina poucas vezes, fixando-se na perspectiva da mãe, e em seu psicológico. Sendo assim, pouco acompanhamos dos atos realmente assustadores que ocorrem na história, já que só os conhecemos depois de acontecerem, quando Christine fica sabendo.

Mas acredito que o principal objetivo do autor foi trazer ao seu leitor a real influência dos filhos na vida dos pais, e o contrário também. Além disso, mostrar o quanto trazemos em nossa personalidade e em nossas atitudes, características de nossos familiares, mesmo sem percebermos.


Se o quê você busca um thriller, daqueles de não conseguir dormir por uma semana, Menina Má não é a melhor opção. Sem grandes cenas amedrontadoras ou sangue escorrendo por todos os lados, o livro te prende por te fazer torcer pela felicidade da família Penmark, e a edição da Darkside ainda traz um histórico da obra, relacionando a vida do autor antes e após a publicação, além de detalhes sobre a influencia da obra em clássicos da literatura e do cinema do horror.

Após ser adaptado para a Broadway, a história de Rhoda chegou aos cinemas com Patty McComark no papel da protagonista, recebendo 4 indicações para o Oscar, e sua fórmula e influência permanecerão, sem dúvida, presentes em diversas obras do gênero por muitos anos.